poeminhas

Por Liliana Guimarães, com colagem de Isadora Vitti


 

Nasci sem saber se devia
Odeio a glória, porque não existe,
E se existisse, eu não a teria


Algo se move na amplidão,
se contorce, se transforma
Do nada que foi, passa a ser algo
vivente, latente
Não chega a ser muita coisa


Aquilo que eu sentia
no meu rosto quente, eram lágrimas
Sofrimento é coisa de gente que esqueceu de morrer
de gemer, de gritar
Sofrimento é coisa de louco


Eu sou gente, tenho em mim
algo de racional
É triste ser algo que pensa
Se eu pudesse, em vez de ser gente, ser algo que não pensasse
seria feliz
Poderia ser uma pedra
congelada, fria, esquecida
Um pedaço de mar sem mistério
Mas eu estava ali


Não, eu não nasci feliz
Sequer sei o que é felicidade
Mas existo, sou
Isto importa
Viver e não existir é angustiante
Ser ou não ser é shakespeariano


Sinto-me ridícula
a palavra me agrada
ridícula, ridícula, ridícula

Quantas vezes?
Quantas for possível
Eternamente ridícula
Cogitando sobre a existência de uma eternidade
Digamos, eterna
e portanto ridícula


Sempre vivi na incerteza,
na angústia de não saber
se era, se estava, se devia ser
Que vida! eu é que não sabia
Q
ue a vida é assim: algo que não se espera
Mas a vida que vivi era de brinquedo
e tudo é como eu queria que fosse
Meu corpo franzino, esse quê infantil, logo some

Chego e saio
S
aio e volto
Porque não posso ficar

Estou cansada cansada
e não quero descansar

Eu sou aquela que parte
pra nunca mais voltar

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